Um homem ou um rato?
.Há algum tempo uma cena me fez pensar a respeito da condição atual do homem. Era um dia atípico em Salvador chovia muito, eu estava no ônibus e pela janela observava as pessoas que estavam na rua, quando de repente essa cena me chamou a atenção: um homem em situação de rua, magro, estatura mediana, aparentando ter entre 40 e 45 anos, completamente molhado ainda tentava se proteger da chuva, sentado em um pequeno batente de uma loja, encolhido no canto de uma parede debaixo de uma marquise. Não era só a chuva que lhe incomodava, como a pista estava alagada quando os carros passavam pequenas ondas se formavam indo em direção a ele, lhe criando um grande desconforto.
Depois que vi toda a situação comecei a pensar e só conseguia associar a imagem daquele homem a de um rato acuado em um canto se protegendo para não morrer, no caso do homem não sei exatamente do que ele se protegia se da chuva ou da sociedade que o marginalizou e o coloca nessa situação. Foi quando lembrei de um livro que li de J. -J. Rousseau intitulado Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.’ Rousseau tem a convicção de que o homem é bom por natureza (…)É a partir do momento que resolve viver em sociedade que as desigualdades aparecem. Como já havia dito na apresentação desse blog, quero falar sobre essas coisas, tenho a consciência de que não vou mudar o mundo, mas busco apenas incomoda algumas pessoas e a forma como pensam em relação as desigualdades, que estão escancaradas em nosso cara e que só nos damos conta quando ela nos atingi. Enquanto isso o homem na sua condição atual é submetido entre outras situações a de degradação, onde a classificação do que seria racional e irracional estar muito tênue, daí não sabemos identificar em situações como a citada acima, quem realmente estamos vendo.
