lembranças – as únicas coisas que restam aos nossos idosos -

“O maior pecado contra nossos semelhantes não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles” Bernard Show.
 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estática – IBGE – a população idosa no Estado da Bahia aumentou de 1.179,403 para 1.277,692, o que corresponde hoje a 9,24% da população. Em 27 de setembro, comemora-se o dia nacional do idoso. Porém o termo “comemorar” não faz parte da realidade dos nossos idosos.
 
  Em outras culturas quando o individuo envelhece, seus familiares o levam para lugares distantes, como florestas e penhascos e os deixam. Este fato nos parece algo cruel e desumano, visto a partir da nossa perspectiva, nos deixando perplexos com esse tipo de cultura. Porém não existe nada de cruel, e sim, um gesto de referência e respeito para com os mesmos. Entretanto, fazendo uma analogia, na nossa sociedade reconfiguramos esta mesma ação em duas vias, de forma totalmente oposta da cultura citada acima, pois ao contrário de deixarmos os idosos em florestas, os maltratamos, abandonamos em abrigos ou nas próprias casas sujeitos ao esquecimento.

 No Estatuto do Idoso, que foi aprovado e sancionado em setembro de 2003, refere-se a punições com multas e prisões. Famílias que abandonam o idoso em hospitais e casas de saúde, sem dar respaldo para suas necessidades básicas, ou que submetem os idosos a condições desumanas, privando da alimentação e de cuidados indispensáveis. Mas essas punições nunca saíram do papel.
Não são poucos os casos de maus tratos com relação à população idosa da nossa sociedade, eles sofrem nos próprios lares, com a privação dos seus direitos, condições sub-humanas de existência e agressões físicas. Fora das suas casas têm que enfrentar a descriminação e a violência contra seus diretos. O que fere de forma direta a Declaração Universal dos Diretos Humanos, quando no artigo V refere – Ninguém será submetido à tortura, nem tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante -.

 As questões do abandono dos idosos em abrigos, envolvem desde fatores econômicos ao simples desprezo. Esta situação é a mais traumática pela qual eles podem passar, servindo de porta para a depressão, a angústia e o sofrimento. Restando apenas a saudade e as lembranças, que os confortará até os últimos dias da suas vidas.

Obs: Mesmo não estando no mês de setembro, acho que as questões que envolvem os idosos devem sempre ser expostas. Esse texto serve para pensarmos um pouco sobre essas situações, para que quando chegarmos no dia 27 possamos comemorar, de fato, alguma coisa.   

 

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